Exercício e expressão de genes inflamatórios em fraturas
As fraturas da anca representam uma causa significativa de mortalidade e morbilidade na população idosa. A atrofia e fraqueza profunda da musculatura da anca ocorrem frequentemente após as fraturas e podem levar ao declínio funcional. Fisiologicamente, pensa-se que esta fraqueza será mediada através do aumento da expressão de genes inflamatórios e da biossíntese de ceramida pela via dos receptores toll-like (VRT). Os programas de reabilitação pós-fratura da anca já mostraram ser eficazes na melhoria da funcionalidade e qualidade de vida. Contudo, poucos estudos investigaram o efeito fisiológico de programas de exercício na expressão genética de marcadores inflamatórios da musculatura esquelética após fratura da anca.
Neste estudo foram feitas biópsias do quadricípite antes e após um programa de exercício de 3 meses em 7 idosos que sofreram uma fratura da anca traumática e comparadas com pares da mesma idade e sem fraturas. O programa de exercício foi supervisionado por um fisioterapeuta e consistiu em treino de resistência de alta intensidade, treino de marcha, Tai Chi em grupo e exercícios de equilíbrio e mobilidade. Vários marcadores relacionados com os níveis de expressão genética de inflamação e biossíntese de ceramida, associados à VRT, foram avaliados através das biópsias.
Após o programa de exercício, o grupo com fraturas mostrou uma redução significativa na expressão de vários genes inflamatórios, apesar de bastantes marcadores genéticos terem permanecido elevados em relação ao grupo de controlo. Verificou-se também um aumento da área de secção transversal e da qualidade muscular.
Estes dados indicam que um programa de 3 meses de exercício regular supervisionado pode levar a uma redução na expressão de genes inflamatórios e portanto reduzir a atrofia e fraqueza da musculatura da anca. Assim, os terapeutas encontram-se numa posição privilegiada para educar pacientes e outros profissionais de saúde sobre a importância da fisioterapia e sobre as bases fisiológicas da fraqueza muscular após fraturas da anca.
> A partir da: McKenzie et al., J Appl Physiol 122 (2017) 68-75. Todos os direitos reservados a the American Physiological Society. Clique aqui para ver o resumo. Traduzido por José Pedro Correia.