Eletroestimulação neuromuscular em idosos que sofreram queda
Nos idosos, as quedas têm um grande peso económico e na saúde por levarem a fraturas, imobilidade e mortalidade. O declínio da massa muscular (sarcopenia) relacionado com a idade, défices de equilíbrio e alterações nos parâmetros da marcha têm sido fortemente associados a quedas na população idosa. Os programas de fisioterapia que têm como alvo estes factores são eficazes no melhoramento da força muscular, equilíbrio e na redução das taxas de quedas.
Contudo, existem barreiras geográficas, económicas e logísticas em muitos países que evitam que os idosos participem nestes programas. O uso de eletroestimulação neuromuscular (EENM) no domicílio já mostrou ser eficaz no aumento da força muscular em diversos grupos, mas há ainda falta de evidência de alto nível que avalie o impacto da EENM na redução do risco de quedas em idosos.
Uma revisão sistemática realizada recentemente juntou os dados de 10 estudos que avaliaram o efeito da EENM na funcionalidade relacionada com o risco de quedas em idosos. Verificou-se uma grande heterogeneidade na dosagem, duração do programa e metodologia nos artigos analisados, com 2 tipos de programas a serem mais proeminentes: EENM isolada e EENM associada a contração muscular voluntária (EENM+). Adicionalmente, a maioria dos estudos centrou-se na EENM dos extensores do joelho e dorsiflexores da tibiotársica. Os resultados da revisão mostraram um melhoramento, embora nem sempre estatisticamente/clinicamente significativo, no teste Timed Up and Go, velocidade da marcha, Escala de Equilíbrio de Berg e força muscular tanto no grupo de EENM como no de EENM+, com uma ligeira tendência para maiores melhoramentos de força muscular nos grupos EENM+.
Este estudo fornece pela primeira vez evidência de alta qualidade que EENM ao domicílio pode ser um tratamento viável para a redução do risco de quedas em idosos. Contudo, deve ser visto dentro do seu contexto e com cautela visto que não fornece dados relativos a taxas de quedas e mostra melhoramentos modestos nos factores de risco associados. Outras intervenções ao domicílio centradas em exercício, como o programa de Otago, possuem evidência significativamente melhor para apoiar a sua eficácia na redução de quedas nesta população.
De acordo com a sabedoria convencional, este estudo apoia o paradigma que o movimento ativo produz uma maior redução no risco de queda e que tratamentos passivos devem ser reservados para aqueles que não conseguem cumprir um programa tradicional de redução do risco de queda. Este estudo levanta a interessante possibilidade de investigação que é se a EENM pode ser uma adição útil aos programas tradicionais de redução de quedas.
> A partir da: Langeard et al., Exp Geront 91 (2017) 88-98. Todos os direitos reservados a Elsevier Ltd. Clique aqui para ver o resumo. Traduzido por José Pedro Correia.