Terapia da dança: uma panaceia para a doença de Parkinson?
Nos últimos 12 meses, vários vídeos tornaram-se virais nas redes sociais afirmando que a terapia da dança pode ter um efeito imediato e profundo nos sintomas motores da doença de Parkinson (DP). Estes vídeos foram vistos mais de 4 milhões de vezes só no Facebook. Serão estas alegações suportadas por evidência revista por pares robusta?
A DP é uma das doenças neurodegenerativas mais frequentemente diagnosticada e apresenta vários sintomas motores limitativos da funcionalidade tais como bradicinesia, estabilidade postural reduzida, rigidez e congelamento. A fisioterapia tradicional tem demonstrado ser eficaz a curto prazo na DP mas foi observado que o cumprimento do tratamento a longo prazo tem sido fraco.
Neste estudo, foi feita uma revisão sistemática de 19 ensaios clínicos randomizados (ECRs), não-ECRs e séries de casos para verificar os efeitos da terapia da dança no equilíbrio, congelamento da marcha, severidade da doença e qualidade de vida em pacientes ambulatórios com DP. Várias formas de dança, entre as quais o tango, a valsa e o ballet, foram incluídas na revisão. Os resultados indicaram melhoramentos modestos mas nem sempre estatisticamente significativos nas várias medidas bem como elevados níveis de cumprimento e aderência ao plano.
A evidência resultante desta revisão sugere que a terapia da dança pode, de facto, levar ao melhoramento dos sintomas motores e qualidade de vida em pacientes com DP. Contudo, tendo em conta o alto nível de publicidade positiva que a terapia da dança tem recebido recentemente, os fisioterapeutas devem ter o cuidado de gerir as expectativas individuais ao escolher a terapia da dança como tratamento para a DP.
> A partir da: Aguiar et al., Int J Gerontol 10 (2017) 64-70. Todos os direitos reservados a Elsevier Ltd. Clique aqui para ver o resumo. Traduzido por José Pedro Correia.