Qual a prevalência CFA tipo-CAM em hóquei no gelo de elite?
As lesões da anca e virilha são lesões desportivas comuns, especialmente em desportos que envolvem um maior grau de flexão da anca. O conflito femoroacetabular (CFA) está a aumentar o seu reconhecimento como uma causa comum de dor na anca em atletas.
Mesmo que apenas 25% dos jogadores de hóquei incluídos neste estudo tenham relatado alguma dor na anca, 69% preencheram os critérios radiográficos para apresentarem deformidade tipo-CAM e 60% dos participantes mostraram sinais de deformidade tipo-CAM, bilateralmente.
Apesar da causa exata de CFA não estar completamente esclarecida, pensa-se que a incidência global radiográfica de CFA numa população assintomática seja de aproximadamente 15%. Fatores como microtraumas repetidos e participação em desportos de elite desde tenra idade são considerados fatores no desenvolvimento de CFA.
Os autores recrutaram 137 jogadores de elite de hóquei no gelo para avaliações.Cada sujeito foi submetido a uma avaliação demográfica e triagem radiográfica, incluindo planos anteroposteriores (AP) da pélvis e planos laterais de rotação externa (posição de rã) de ambas as ancas. A deformidade tipo-CAM foi definida como um ângulo alfa superior a 55o no plano lateral de rotação externa (posição de rã).
Os autores descobriram que 69% dos participantes preencheram os critérios radiográficos para deformidade tipo-CAM numa anca e 60% dos participantes apresentaram sinais de deformidade bilateral tipo-CAM. Tal facto contrasta com apenas 25% dos participantes que relataram qualquer sintoma ou dor na anca. Os guarda-redes apresentaram uma maior prevalência para deformidade tipo-CAM em comparação com os outros jogadores.
O CFA é um achado relativamente comum em jogadores de elite de hóquei no gelo, embora a maioria destes jogadores fossem assintomáticos no momento do estudo. Esta é mais um evidência que os achados radiológicos não reflectem necessariamente a apresentação clínica dos pacientes.
> A partir da: Lerebours et al., Am J Sports Med (2016) (Publ. antes do impresso). Todos os direitos reservados a Aos Autores. Clique aqui para ver o resumo Pubmed. Traduzido por Rui Pires.